domingo, 23 de agosto de 2015

Pareidolia e boas-vindas

A primeira  vez que ouvi falar sobre o termo "pareidolia" foi em uma pesquisa que começou no nome do álbum e uma banda e me levou para um rostinho encrustado na superfície da lua. Aquilo não era um rostinho. Era um morro, um montinho de terra marciano (mais precisamente, uma mesa) que aparece em imagens da Nasa com sombras e luminosidades em lugares que fazem com que a gente veja um rosto. O processo é automático. Antes de pensarmos se aquilo pode ser uma cratera ou elevação, tá lá o rosto olhando de volta para a gente. Por exemplo: essa imagem ali do lado, eu não preciso nem dizer qual dos montinhos parece um rosto. Mais sobre ele aqui.

O nome disso, descobri, é pareidolia, e é uma habilidade super normal de gente como a gente. Apesar de a personagem Susan Storm do Quarteto Fantástico do Josh Trank ser um prodígio no reconhecimento de padrões, essa é uma habilidade que todos nós temos e que é super importante para a nossa sobrevivência. É, inclusive, uma habilidade muito difícil de ser simulada por computadores. Tanto que uma das formas de diferenciar seres humanos de "robôs"/algoritmos é pedindo que se escolha imagens bem diferentes, mas que representem o mesmo objeto, como essa do Google:




O teste de roscharch é uma variação disso: em formas mais abstratas, seres humanos têm a tendência em procurar formas conhecidas, e uma linha da psicologia estuda isso como forma de revelar traços da personalidade de quem lê essas imagens:



O reconhecimento de padrões também foi tema de um livro do William Gibson, autor super conhecido para os fãs de ficção científica. Ele é um dos principais autores do gênero cyperpunk e criou o termo "ciberespaço". O livro é chamado Pattern Recognition, e, nele, Gibson usa personagens e temas para falar sobre a importância biológica dessa nossa característica, como ela é importante em áreas como história, publicidade, moda e arte e também dos seus perigos. Misturada a um pouco de religião, essa nossa habilidade especial pode levar a extremos como essas vinte pessoas que encontraram Jesus em suas comidas. Um outro livro interessante que parte dessa nossa habilidade (habilidade, na verdade, do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen J. Dubner) é o Freakonomics, que alia o pensamento econômico para encontrar ligações criativas entre tópicos bem diferentes.

Na definição mais básica, pareidolia é a conexão que o nosso cérebro faz a partir de estímulos recebidos pelos sentidos, geralmente visuais ou sonoros. No caso do Freakonomics, os autores vêem padrões em informação, mas o princípio é bem parecido. Todos esses casos juntos dizem coisas muito interessantes sobre a nossa capacidade de percepção e aprendizado.

Esse blog vai ser um grande exercícios de pareidolia, onde vamos encontrar sentido em informações novas, todas as semanas. Criado para a disciplina "Expansão dos Sentidos", do curso de Design da PUC-Rio, ela não é exclusiva para alunos do curso. Se você caiu aqui por acaso e quiser acompanhar, é super bem vindo.

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Alguns updates pós-aula:

- O projeto do Google de desenvolver uma inteligência artificial (a partir de redes neurais) capaz de reconhecer imagens foi comentado na aula e é super interessante. Por enquanto, o sistema tem reconhecido padrões bem diferentes do que nós reconhecemos nas imagens. Um exemplo de como funciona:



Aqui tem um artigo legal do Guardian sobre o projeto. Em uma matéria do Business Insider, o próprio repórter exercita seu próprio reconhecimento de padrões por cima do trabalho das máquinas do Google:

Segundo ele, "uma carinha sorridente emerge
do padrão aleatório de arcos e círculos".

Até eu acabei exercitando um pouco de pareidolia nese último e lembrando das construções do Gaudi.

Em pesquisa, descobri que existe inclusive uma conferência sobre o tema, chamada Computer Vision and Pattern Recognition conference. Alguns dos projetos apresentados na última são bem legais, e quem sabe a gente tem tempo de falar sobre algum deles no futuro por aqui.

No próximo post, vamos voltar um pouquinho no tempo e discutir teóricos que falaram sobre os tecnologia durante os anos 80 e 90. Até lá!

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